IME 2023/2024

2ª Fase - Física

Baixar PDF

Prova e soluções comentadas

Brasão IME

Q1

Um cilindro de 60 cm260\text{ cm}^2 de área de seção transversal contém um gás ideal confinado em seu interior. Em cima do pistão do cilindro é colado um bloco de 1515 N de peso. Na Figura 1, a distância do pistão à extremidade fechada do cilindro é de 33 cm. Invertendo-se a posição do cilindro, conforme mostra a Figura 2, verifica-se que a distância do pistão à extremidade fechada do cilindro passa a valer 66 cm.

Image

Dados:

  • constante universal dos gases: R=8,314 J/(molK)R = \pu{8,314 J/(mol.K)};
  • temperatura do gás: T=433 KT = \pu{433 K}.

Observações:

  • desconsidere a área de contato do bloco;
  • considere a temperatura do gás constante.

Diante do exposto, calcule:

  1. a pressão atmosférica no local da experiência;
  2. as pressões do gás em cada uma das situações das figuras;
  3. o número de mols do gás no interior do cilindro.

Q2

A figura ilustra um plano inclinado fazendo um ângulo θ\theta com a horizontal. O plano encontra-se dentro de um tanque contendo água, onde também estão um bloco de massa mm e uma mola de constante elástica kk, inicialmente relaxada. O bloco parte do repouso a uma distância 2d2d da mola. Na primeira metade do percurso, não há atrito. Após essa parte, a superfície do plano passa a apresentar atrito. Ao atingir a mola, o bloco passa a mover-se solidariamente a ela.

Image

Dados:

  • aceleração da gravidade: g=10 m/s2g = \pu{10 m/s^{2}};
  • massa do bloco: m=0,1 kgm = \pu{0,1 kg};
  • volume do bloco: V=0,05 LV = \pu{0,05 L};
  • coeficiente de atrito cinético entre o bloco e a superfície: μc=1/3\mu_c = 1/3;
  • constante elástica da mola: k=6,2 N/mk = \pu{6,2 N/m};
  • distância d=4 md = \pu{4 m};
  • massa específica da água: μa=1 g/cm3\mu_a = \pu{1 g/cm^{3}};
  • sen(θ)=0,8\text{sen}(\theta) = 0,8.

Observação:

  • com relação à água, considere apenas a força de empuxo.

Considerando a situação descrita, determine:

  1. o módulo da velocidade do bloco ao alcançar a superfície com atrito;
  2. o módulo da velocidade do bloco ao atingir a mola;
  3. a máxima compressão da mola.

Q3

Fios infinitos no plano xyxy são paralelos ao eixo yy e conduzem correntes elétricas nos sentidos desenhados na figura de tal forma que o módulo do campo magnético na superfície de uma chapa metálica de carga total nula seja aproximadamente B(x)=CKxB(x) = C-Kx, onde CC e KK são constantes positivas.

A chapa movimenta-se com velocidade constante na direção yy mantendo-se no plano xyxy e induzindo assim o deslocamento de elétrons livres na chapa até que campos elétricos estacionários ao longo do eixo xx sejam criados para que o equilíbrio eletrostático seja alcançado.

Image

Dados:

  • largura da chapa: LL;
  • C>K.LC > K.L;
  • velocidade da chapa: vv, no sentido positivo de yy;
  • correntes nos fios: i1,i2,ini_1, i_2, \ldots i_n;
  • distâncias dos fios ao eixo yy: d1,d2,,dnd_1, d_2, \ldots, d_n;
  • posições dos fios: à esquerda do eixo;
  • permeabilidade magnética do meio: μ0\mu_0.

Diante do exposto e justificando todas as respostas, determine:

  1. para que lado da chapa (direito ou esquerdo) haverá maior deslocamento de elétrons;
  2. a expressão do módulo do campo elétrico E(x)E(x) induzido na chapa no equilíbrio eletrostático em função da posição xx;
  3. o módulo da diferença de potencial elétrico entre as posições x=0x = 0 e x=Lx = L;
  4. a relação entre a constante CC (campo magnético em x=0x = 0) e as correntes e distâncias listadas nos dados acima.

Q4

Em uma experiência de campo, um observador parado estuda o movimento de um veículo que se aproxima em sua direção. De tempos em tempos, o veículo emite simultaneamente um sinal acústico de frequência ff e um sinal luminoso. No instante t=t1t = t_1, o observador detecta um sinal luminoso; no instante t=t1+Δt1t = t_1 + \Delta t_1, detecta o sinal acústico correspondente com uma frequência f1f_1. No instante t=t2t = t_2, o observador detecta outro sinal luminoso; no instante t=t2+Δt2t = t_2+\Delta t_2, detecta o sinal acústico correspondente com uma frequência f2f_2.

Dados:

  • f=300 Hzf = \pu{300 Hz};
  • t1=0 st_1 = \pu{0 s};
  • Δt1=3 s\Delta t_1 = \pu{3 s};
  • f1=310 Hzf_1 = \pu{310 Hz};
  • t2=34 st_2 = \pu{34 s};
  • Δt2=1 s\Delta t_2 = \pu{1 s};
  • f2=320 Hzf_2 = \pu{320 Hz};
  • velocidade do som: 340 m/s\pu{340 m/s}.

Observação:

  • a velocidade do veículo não sofre variações abruptas.

Para o intervalo de tempo t1tt2t_1 \leq t \leq t_2, determine:

  1. a velocidade média do veículo;
  2. a aceleração média do veículo.

Q5

Um laboratório deve ser mantido refrigerado a certa temperatura e recebe fluxo de calor incidente no teto, sendo que o piso se encontra idealmente isolado. O fluxo de calor em cada parede lateral é tomado como metade daquele recebido pelo teto. O funcionamento do maquinário no interior do laboratório juntamente com a carga térmica relativa aos técnicos está estimado em 25% do fluxo de calor relativo ao teto mais paredes. Um técnico estima que o custo por jornada de 8 horas referente ao acionamento elétrico do aparelho de condicionamento do ar desta instalação é aproximadamente R$ 40,00.

Image

Dados:

  • temperatura de projeto no interior do laboratório: 23 C\pu{23 °C};
  • temperatura do ambiente externo: 3559 C\dfrac{355}{9}\ {}^\circ\text{C};
  • dimensões do laboratório: 4 m×10 m×4 m\pu{4 m} \times \pu{10 m} \times \pu{4 m};
  • fluxo de calor incidente no teto do laboratório nas condições de projeto: 300 W/m2\pu{300 W/m^{2}};
  • razão entre o coeficiente de desempenho do aparelho de ar condicionado e o do refrigerador de um ciclo de Carnot: 1/61/6;
  • custo de energia durante o acionamento do compressor do ar condicionado: R$ 0,70 por kWh.

Baseado nos dados listados e em uma análise termodinâmica do problema, avalie o custo e conclua se a estimativa do técnico está adequada, subestimada ou superestimada.

Q6

Duas esferas condutoras A e B, inicialmente isoladas, com cargas positivas QAQ_A e QBQ_B e raios RAR_A e RBR_B, são ligadas por meio de um fio condutor ideal e longo. Depois do sistema entrar em equilíbrio eletrostático, outro fio condutor, com pequena resistência elétrica, é conectado à esfera B no instante t=t0t = t_0 e o sistema é aterrado, conforme mostra a figura acima à esquerda. Durante o período em que o sistema permanece aterrado, circula pelo fio condutor de aterramento a corrente i(t)i(t) variante com o tempo mostrada no gráfico à direita. Em t=t1t = t_1, o fio de aterramento é desconectado e, depois do sistema entrar novamente em equilíbrio eletrostático, o fio condutor que conecta as duas esferas é retirado.

Image

Dados:

  • carga da esfera A: QA=6 CQ_A = \pu{6 C};
  • carga da esfera B: QB=4 CQ_B = \pu{4 C};
  • raio da esfera A: RA=2 mR_A = \pu{2 m};
  • raio da esfera B: RB=1 mR_B = \pu{1 m};
  • corrente i0i_0: 5 A\pu{5 A};
  • corrente i1i_1: 3 A\pu{3 A};
  • instante de tempo t0t_0: 0 s\pu{0 s};
  • instante de tempo t1t_1: 1,5 s\pu{1,5 s}.

Diante do exposto, determine:

  1. a densidade superficial de carga de cada esfera depois que são conectadas e antes do aterramento;
  2. a soma das cargas das esferas A e B após o fio de aterramento ter sido desconectado em t=t1t = t_1;
  3. a carga da esfera A depois do fio condutor que conecta as duas esferas ter sido retirado.

Q7

O guindaste da figura é montado com o auxílio da barra vertical BD, das barras horizontais AB e BC e das barras inclinadas AD e CD. O apoio A resiste a forças horizontais e verticais, enquanto o apoio B resiste apenas às forças verticais. Sabe-se que a reação normal no apoio B é 6060 kN de baixo para cima e que são aplicadas forças externas indicadas nos pontos C e D.

Image

Observações:

  • as barras são rígidas e possuem massa desprezível;
  • a força P no ponto D é horizontal e a força de 5252 kN no ponto C é vertical.

Na condição de equilíbrio, determine:

  1. a força horizontal P;
  2. o módulo da reação no apoio A;
  3. a força atuante na barra AD, discriminando se é de tração ou compressão.

Q8

Uma fibra ótica tem uma seção transversal de espessura aa e possui o formato mostrado nas figuras, onde a curva externa β\beta é um arco de 1/41/4 de circunferência de raio RR e a curva interna α\alpha é um arco de 1/41/4 de circunferência de raio RaR-a. Considere duas situações: na situação da Figura 1, um raio de luz entra na fibra tangenciando a curva α\alpha; na situação da Figura 2, um raio de luz entra na fibra tangenciando a curva β\beta por dentro.

Image

Dados:

  • índice de refração no interior da fibra: nn;
  • índice de refração do meio externo à fibra: 11;
  • velocidade da luz no vácuo: cc.

Observação:

  • em ambas as situações o raio de luz incide perpendicularmente à superfície da fibra.

Considerando as duas situações, determine:

  1. o menor valor de RR, em função de aa e nn, de forma que o raio de luz mostrado na situação da Figura 1 fique confinado e não escape da fibra na primeira incidência na curva β\beta;
  2. o tempo de viagem do raio de luz confinado à fibra na situação da Figura 2.

Q9

As figuras ilustram dois circuitos. O Circuito 1 possui oito nós, numerados de N1N_1 a N8N_8, quatro resistores e apresenta algumas medidas realizadas por voltímetros e amperímetros, inclusive a corrente i1i_1 entre os nós N4N_4 e N5N_5. Já o Circuito 2 possui duas baterias de 6262 V, três resistores idênticos e um circuito que é ajustável de forma que por ele circule a mesma corrente i1i_1 indicada no Circuito 1.

Image

Image

Determine as correntes i1i_1, i2i_2, i3i_3 e i4i_4 do Circuito 2.

Q10

Um sistema automático de defesa contra um determinado tipo de blindado inimigo é instalado próximo a um morro, como mostra a figura. Nesse sistema, um observador comanda o disparo de um morteiro que se encontra escondido atrás desse mesmo morro, com base na imagem do blindado obtida através de uma lente convergente especial. O observador realiza duas medidas do tamanho da imagem do blindado em instantes diferentes e utiliza esses valores para calcular o instante de disparo do morteiro.

Image

Dados:

  • distância focal da lente do observador: f=50 mf = \pu{50 m};
  • altura do morro: H=320 mH = \pu{320 m};
  • altura do blindado inimigo: h=2,7 mh = \pu{2,7 m};
  • distância horizontal entre a lente e o topo do morro: L=110 mL = \pu{110 m};
  • velocidade de disparo do projétil: v0=100 m/sv_0 = \pu{100 m/s};
  • intervalo de tempo entre as medidas dos tamanhos das imagens: Δt=25 s\Delta t = \pu{25 s};
  • tamanho da primeira medida da imagem invertida: i1=5,40 cmi_1 = \pu{5,40 cm};
  • tamanho da segunda medida da imagem invertida: i2=6,75 cmi_2 = \pu{6,75 cm};
  • aceleração da gravidade: g=10 m/s2g = \pu{10 m/s^{2}}.

Observações:

  • o blindado e o morteiro estão na mesma horizontal;
  • para efeito de cálculo do ponto de impacto do projétil, use o chão como referência.

Sabendo que o blindado se desloca com velocidade constante em direção à lente do observador e que o projétil atirado pelo morteiro atinge seu ponto máximo na trajetória exatamente no pico do morro, determine:

  1. a que distância horizontal DD do pico do morro o morteiro deve ser posicionado;
  2. as distâncias entre o blindado e a lente nos momentos das duas medidas;
  3. a velocidade do blindado;
  4. o intervalo de tempo depois da segunda medida de imagem para que o disparo seja realizado e possa atingir o blindado.